Antes das cidades e do garimpo
A presença humana na região remonta a mais de onze mil anos. Abrigos rochosos, pinturas e caminhos ajudam a compreender a relação antiga entre pessoas, água, plantas e ciclos naturais. Cada sítio tem sua própria história e deve ser visitado com respeito às regras de conservação.
Acroá, Xacriabá, Capepuxi, Caiapó, Xavante, Karajá e Avá-Canoeiro participam da história de ocupação do Brasil central. São povos distintos, com línguas, territórios e modos de vida próprios. Agricultura, caça, pesca e deslocamentos assumiam formas variadas, apoiadas em conhecimentos sobre solos, animais e estações.
Colonização, escravização, expulsões, epidemias e restrições territoriais marcaram essas trajetórias. A história indígena continua no presente, nas comunidades, nas organizações e na luta por direitos.
Ouro, povoamentos e território
A passagem de Anhanguera em 1722 e a busca por ouro transformaram a região. Povoados e fazendas cresceram sobre territórios já ocupados, com uso do trabalho de pessoas escravizadas. Cavalcante, Alto Paraíso e Nova Roma guardam diferentes partes dessa memória.
Os Avá-Canoeiro têm referências históricas desde 1725 e uma relação com matas e rios dos sistemas Araguaia, Tocantins, Maranhão e Paranã. Mesmo diante de perseguições e perda territorial, preservaram sua identidade e reivindicaram seus direitos. A homologação da Terra Indígena Avá-Canoeiro, em Goiás, foi anunciada em 28 de abril de 2023.
Territórios indígenas não são espaços de visitação livre. Conhecer essa história começa por respeitar as decisões das comunidades. Na Aldeia Multiétnica, encontros e vivências programados oferecem oportunidades de aprendizado com quem deseja compartilhar seus saberes.
Kalunga: ancestralidade e vida comunitária
As comunidades Kalunga se distribuem entre Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás. Seus caminhos, roças, rios, festas e conhecimentos tradicionais expressam uma história de resistência e autonomia.
O turismo de base comunitária permite conhecer cachoeiras e também refeições, artes, produtos e histórias de quem vive no território. Combine a visita pelos canais comunitários e respeite os espaços de moradia e de celebração.
Um calendário de encontros
Folias, romarias e danças reúnem referências indígenas, africanas, sertanejas e católicas. São momentos de devoção e convivência transmitidos entre famílias e grupos locais.
| Época tradicional | Celebração | Onde conhecer |
|---|---|---|
| Dezembro e janeiro | Folia de Reis | Comunidades da região |
| Primeira quinzena de julho | Caçada da Rainha | Colinas do Sul |
| Agosto | Romaria do Muquém | Muquém, em Niquelândia |
Confirme a programação de cada ano antes de reservar deslocamentos. Ao participar, acompanhe o ritmo da celebração e peça autorização para fotografar pessoas e cerimônias.
Romaria do Muquém
Muquém é um distrito de Niquelândia, a aproximadamente 47 km da sede e 92 km de Colinas do Sul. A romaria de Nossa Senhora da Abadia, com uma tradição de mais de 270 anos, está ligada à Chapada por relações de fé, circulação e parentesco.
Peregrinos chegam a pé e por outros meios, cumprem promessas e acompanham celebrações. Comércio, alimentação e apresentações movimentam o entorno do santuário. Durante a festa, planeje trânsito e pernoite com antecedência.
Folia de Reis
Com raízes portuguesas e desenvolvimento no Brasil colonial, a Folia de Reis celebra a visita dos magos ao menino Jesus. A tradição incorporou experiências brasileiras, incluindo influências africanas na música e na celebração.
Grupos percorrem casas e comunidades com cantos, instrumentos e a bandeira da folia. Mestre e contramestre conduzem a cantoria; músicos e participantes acompanham a visita. O ciclo tradicional vai de 24 de dezembro a 6 de janeiro, com variações entre comunidades.
Os palhaços têm diferentes interpretações: podem proteger simbolicamente o menino Jesus ou representar personagens ligados à perseguição de Herodes. A bandeira é reverenciada. Vozes agudas, versos em resposta e instrumentos dão forma à celebração.
Receber o grupo, oferecer alimento e acompanhar sua passagem reafirma vínculos entre famílias. Para quem visita, é uma oportunidade de conhecer essa rede de hospitalidade com respeito aos seus rituais.
Caçada da Rainha
Em Colinas do Sul, a Caçada da Rainha une encenação, cortejos, música e devoção a Nossa Senhora do Rosário e ao Divino Espírito Santo. Reis, rainhas e moradores participam da procura e do encontro da rainha, tradicionalmente na primeira quinzena de julho.
A narrativa popular conta que a princesa Isabel teria se escondido por receio da reação do pai, Dom Pedro II, após libertar os escravizados. É uma tradição oral que organiza a festa e sua memória da abolição. A programação de cada ano define os horários e os momentos abertos aos visitantes.
Sussa: dança e memória Kalunga
Na Sussa, música, movimento e celebração expressam a cultura afro-sertaneja e a vida Kalunga. Mulheres com saias de chita giram e marcam o ritmo com os pés. Em algumas apresentações, equilibram garrafas na cabeça, com domínio corporal aprendido na convivência.
Pandeiro, viola, caixa e tambor-onça acompanham as vozes. O tambor-onça é um instrumento de fricção de som grave, com funcionamento semelhante ao de uma cuíca. A composição dos grupos e as formas de participação variam entre comunidades.
A dança integra festejos religiosos e momentos de recreação, conectando pessoas, ancestralidade e território. Para conhecê-la, combine uma experiência oferecida pela comunidade e remunere o trabalho cultural.




